7 de fevereiro de 2015 – 7:31 | Sem comentários

Olá Crianças,
Para mim o ano começou ontem. Após um longo período de uma tortura mental, psicológica e financeira, meu ano começou…
Desde a copa de 2014 que as coisas começaram a definhar para mim e, talvez …

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O princípio básico

Escrito por em 28 de maio de 2012 – 11:02

Recebi esse texto do meu amigo Alan (Botsp) que frequenta esse blog e decidiu colaborar. Quem sabe não tenhamos mais conteúdo aqui com ele participando?

Por Alan Pimentel

Era uma vez um lugar onde a civilização de fato fazia juz ao seu nome, as pessoas conviviam entre si com amor fraterno, honestidade e benevolência. As ruas eram limpas, as vias eram muito bem sinalizadas, o motorista respeitava o pedestre e o homem ajudava o ceguinho na travessia. O ar deste lugar era agradável, o verde era festa e o cinza ainda se alargando. As crianças brincavam livremente e a segurança era um caso a parte, pouco exigida.
Pela tarde na praça os velhinhos se reuniam para desfrutar o prazer da vida ao ar livre. A noite trazia a cortesia de belas luzes e lugares interessantes. Diversão garantida.
O “Bom dia” para um desconhecido era moda, o “saúde” para um doente era frequente, o “com licença” era parte do dia-a-dia e o “obrigado” jamais faltava.
Dia de pagamento era sinônimo de aposentado. Nos bancos só se viam cabeças brancas com notões no bolso da camisa. Não existia medo nem insegurança, para quê isso?
Na política funcionava tudo perfeito e na mais bela ordem… O Presidente e os demais governantes em seus respectivos cargos trabalhando duro para manter a frase da nossa bandeira de pé.
Policiais viviam sonolentos em suas guardas, não tinha nada a se fazer. Bombeiros só eram chamados para retirar animais de árvores, postes, telhados e olhe lá. Na sala de emergência só existia crianças com pernas ou braços quebrados devido às brincadeiras na rua, e só.
O trânsito era caótico mas tudo bem, para que se estressar? Afinal buzinar, xingar, gritar não levaria a lugar nenhum uma vez parado. Todos pensavam assim e o transito fluia lentamente apenas com o barulho dos motores.
A educação era exacerbada, outro dia vi um jovem pisar sem querer no pé de um idoso e o rapaz envergonhado pediu desculpas, os dois começaram a rir daquela cena.
A sociedade em si era muito honesta, bondosa e não media esforços para ajudar o próximo. A alegria estava estampada na face de cada um ao ir e voltar do trabalho. Satisfação por trabalhar.
A segurança quando precisava funcionava bem. Dia desses foi avisado à polícia que um garoto foi visto pulando o muro de uma casa. Chegando lá o pobre garoto foi pego em flagrante “despulando” o muro com sua pelota nas mãos, e depois ambos acabaram rindo daquela situação.
A marginalidade não existia porque o princípio daquele lugar era a educação passada pelos pais, e os governantes investiam praticamente tudo nesta área. Haviam ótimas escolas, excelentes professores e consequentemente surgiam alunos exemplares que se tornavam profissionais fantásticos.
Eles constituiam suas famílias e o amor era a base disto tudo.
Os caminhos não se desviavam, as pessoas discerniam corretamente e sabiam o certo e o errado. Andavam pelo certo pois eram instruídas desde crianças assim, e nada mudava este conceito porque tinham o principio básico, educação.

Vivemos em um lugar onde a civilização parece não existir e onde as pessoas não sabem conviver com amor fraterno, tampouco com honestidade. A maioria das ruas são sujas e as vias possuem péssimas sinalizações. O motorista simplesmente não respeita o pedestre e o homem se faz de cego para não ajudar o real cego na travessia. O ar deste lugar não é nem um pouco agradável, o cinza faz a festa e o verde afasta-se cada vez mais.
As crianças não podem brincar na rua pois a segurança de fato não há, tornando assim um risco para elas. Uma medida foi tomada, implantaram-se computadores em suas residencias e elas ficaram como que em cárceres privados, presos em um mundo virtual.
Na praça as pessoas desfrutam o prazer do ar livre se drogando, e fazendo o que não se deve. A noite apresenta a insegurança garantida e uma vontade súbita de estar em casa antes dela.
O “bom dia” para um desconhecido é sinal de bizarrisse, um “saúde” para um doente é quase uma loucura, o “com licença” está escasso e o “obrigado” se extinguiu.
Dia de pagamento é sinônimo de terror e não se ve dinheiro com ninguém, até porque ninguém quer dar sopa para o azar e ter seu salário perdido como a facilidade que uma água tem de escorrer. A maioria coloca dentro de seus sapatos, e até dentro da cueca como ja vimos alguns no ramo da política. Existe medo e insegurança, por que isso?
A política vai de mal à pior. O Presidente e os demais governantes são as maiores piadas em seus respectivos cargos. Trabalham e se trabalham somente para obter os próprios benefícios e que se dane o próximo, que se dane aquelas palavras da bandeira nacional.
Policiais vivem sempre alertas em suas bases e arriscam suas vidas todos os dias. O pior é que ainda tem um salário de miséria, e se for levar em conta é uma tremenda falta de reconhecimento e de um exemplo de como não se importar com as pessoas. Os bombeiros são chamados frequentemente e a maioria por acéfalos que não tem absolutamente nada na cabeça e ligam fazendo trotes a quem trabalha com tamanha dedicação para o bem da sociedade, e bem ou mal, pingados dessa sociedade emite falsas ligações como gratidão. Na emergência o número de pessoas atropeladas por descuidos ou por imprudências no trânsito é assustadora, o número de furados de bala, de pessoas que levam facadas por seus cônjuges é assustador.
A educação se aparelha com a política – de mal à pior. Outro dia um homem esbarrou em um bebê em um transporte público e acabou morto logo em seguida. Outro deu um leve toque com o carro no retrovisor de uma brasília velha, foi perseguido e durante a perseguição foi morto diante da família, mesmo implorando para não ser morto.
A maioria das pessoas é desonesta e não mede esforçoes para roubar a felicidade de outrem. O tédio, a infelicidade da parte de alguns está estampada na face ao voltar do trabalho. Resultados de péssimos salários e de péssimos investimentos na área de transportes públicos.
A segurança quando necessitada não funciona muito bem. Dia desses a polícia foi alertada sobre um assalto em uma galeria. Apenas dois policiais estavam situados no local e se depararam com vários meliantes com armamentos superiores aos militares, resultado: um policial baleado e um marginal morto, o restante? Deve estar pelas ruas neste momento, praticando seu hobby.
A marginalidade existe porque o princípio deste lugar não é a educação. Há escolas com profissionais desqualificados, alunos desatentos que se tornam péssimos profissionais. Quando se tornam eles constituem famílias e a ânsia por dinheiro é a base disto tudo.
Os caminhos se desviam, as pessoas não discernem mas tem em mente o que é certo e o errado. Agem pelo errado com a concepção de ser o certo, porque levam na bagagem essa forma de pensamento, foram instruídas assim e nada muda este conceito porque não se tem o princípio básico. Não se tem a educação.

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